Passei á tarde inteira hoje olhando o céu e fazendo auto reflexos, descobri que com á mesma proporção em que ás nuvens giram cobrindo o sol e a lua, escondendo-lhes de nós, impedindo-os de nos trazer brilho, frio e calor, nós também nos escondemos atrás das nuvens da vida. Eu poderia dizer que nos escondemos pra não sofrer, o que seria um equívoco; sofremos muito mais impedindo nossos desejos e sentimentos de fluirem expontaneamente. Ás nuvens correm em sentidos de 360º, voltando sempre no mesmo lugar. São infinitas como nossos sentimentos, e são de uma intensidade sublime. Formam cores, textos e desenhos, assim como á nossa vida forma... Á missão das nuvens não é cobrir o sol ou á lua, e sim equilibrar á intensidade de frio ou calor. Nosso coração também funciona assim; estamos quentes e apaixonados, de repente frios, congelados e insensivéis. Além do que, ás nuvens trazem água, ou somente neblina... Na vida, á neblina confunde á visão, distorce á paisagem e nos deixa confusos. É meio piegas dizer isso, mas ás nuvens funcionam exatamente como nós funcionamos, é só prestar atenção. Assim como ás nuvens, giramos e voltamos sempre ao mesmo lugar. Há uma diferença: Nuvens são limitadas, seres humanos parecem ser limitados mas não são. Se pararmos pra prestarmos atenção, veremos á quantidade de limitações que impomos em nossas vidas, e o quanto elas impedem nossa evolução e dificultam nosso dia á dia. Hoje quando prestei atenção percebi que há anos á minha vida não sai do lugar, simplismente porquê impomos limites até nos nossos atos. Não nos entregamos e nem mergulhamos de cabeça por medo de não conseguir, e nem tentamos por isso. O que acaba nos deixando ao alcance somente de coisas facéis e pelas que pouco teremos que batalhar e nos entregar. Vivemos infelizes por medo até de amar e de sorrir, nos colocamos em situações que na verdade não são situações naturais e sim calculadas. Temos medo de pisar descalços no chão para não corrermos o risco de se cortar em um caco, ou se doer em uma pedra, e nos acostumamos para não sofrer. Para não sofrer? O sofrimento de uma pessoa que não se entrega é muito maior do que o daquela que se entrega mesmo não saindo do lugar, isso é lógico e mesmo assim não percebemos, ou simplismente não temos força de vontade para mudar... E assim vivemos dia após dia, girando 360º graus retos, sem conhecer meios, pontas e beiradas por medo de não alcançá-las.


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